sábado, outubro 15, 2005

Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas do rio correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

Se eu não arranco de mim esta tristeza imensa ela vai acabar comigo :(

sexta-feira, outubro 14, 2005

As memórias que eu não tenho me desesperam.
As palavras que me fogem enquanto falo: a fala arrastada, cansaço.
E eu me pergunto onde foi que foi roubada de mim a menina que eu era.
É no espelho dos olhos alheios que eu vejo quantos pedaços perdi de mim mesma.
Não saber onde, nunca, estão: chave, óculos, chinelos, contas, cartões;
Não saber nunca o que eu ia dizer enquanto ainda digo.
Não lembrar nunca, a não ser que fira, marque, calque, tatue, destrua, deleite, arranhe, sangre.
Meu mundo de frases literárias e palavras espaçadas por silêncios.
O esforço de manter coeso o fio entre elas traz a dor de cabeça e a exaustão.
Quando foi que me tornei uma sombra de mim mesma?
Eu me apago, eu bruxuleio, eu entrecortada pela inconsciência, sou-não-sou por inteiro. Eu. Quem me ama desse jeito pode ver como eu era?
Tão fragilizada pela vida, por mais que eu tenha lutado, me esforçado, me batido, gritado, esperneado, o cansaço vence. A escuridão vence. Os espaço entre a existência vencem.
Intermitente. Fragmentada. Cada vez... mais... distantes... a velocidade do pensamento... e a fala...

É um movimento de volta ao autismo da infância talvez? O primeiro sinal de morte em vida? Ou apenas um cansaço imenso que me deixou marcada? Eu não sei. Só sei que me perco...
De: Erlainn of the Fire Day
Para: Thor, Iansã, Zeus, Chac, Huya, Tlaloc, Inanna et alii

Ref.:
Balneário Infernal

Caríssimos Deuses da CHUVA. Colaborem aí com a nossa causa aqui no Balneário Infernal. Nas últimas 3 vezes que saí na rua, mesmo usando camiseta, voltei para casa com as costas ARDENDO. E nem estamos no Verão. Esta sexta-feira está quente pra caralho. Até a brisa sopra abafada. Eu faço uma dança da chuva virtual procês, mas, por favor, dêem uma refrescada, vai? Tá foda. Daqui a pouco só vou poder sair na rua à noite ou serei obrigada a usar filtro solar para sair de casa.
Rindo pra não chorar


Ser nerd demais começa a ter efeitos na minha vida prática. Precisarei refazer as digitais para a minha carteira de identidade. Pela TERCEIRA vez. Segundo o Detran, elas estão desgastadas. Como devo espancar teclados há mais ou menos uns 12 anos (sem contar a boa e velha Remington da minha infância), imagino que lá pelos 40 não tenha mais digital alguma. Só tem um furo nessa teoria, uma vez que o polegar e o indicador estão intactos e não tem dedo mais usado que o indicador... Enfim, mistério. Eles dizem que preciso conseguir um atestado com um dermatologista de que minhas digitais estão desgastadas. Enquanto isso, é re-re-fazê-las e rezar para a nova identidade ficar pronta antes que eu morra de fome.*

*Sem id não dá pra pegar o FGTS, sem FGTS não dá pra pagar contas, comprar comida etc etc etc.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Tristeza. Dor. Solidão. TPM. Malditas pílulas que não fazem efeito. Trabalhando o dia inteiro na frente do micro. Meio culpada por estar longe do meu filho. Tentando não me culpar porque afinal, eu estou trabalhando na frente do micro. Devia me sentir como se estivesse no escritório. Seria mais fácil, mas nunca é. Angústia, carência, ligo ou não ligo. Tenho bons motivos para ambos. É a loucura roendo pelas bordas e tentano me impedir de prosseguir, é o Photoshop travando, o Fireworks e o Flash que não abrem e eu esperando o download das novas versões pra dar boot na máquina. Paralysed. Ligo ou não ligo? Beber com os amigos na GANP. Ir à festa do Pin me Up. Mas isso não é trabalho. Culpa, culpa, culpa. Solidão. Carência. Aquela velha e conhecida dor consumindo meu peito. Tomar um banho, dar uma volta, fumar um cigarro, ligar pro meu filho. Quero te ver, penso em você, quero beijar você longamente e dançar apertando teu corpo no meu. Quero dançar hoje, seja que música for, com ou sem você. Mas com você tudo seria melhor. 52% de download. Argh. Fumar um cigarro, procurar uma taça de vinho, dar uma volta. Instalar os programas, dar boot, voltar ao trabalho. Tem um gato preto dormindo na minha cama e lá fora está escurecendo.

E eu preciso sangrar logo.

segunda-feira, outubro 03, 2005

quinta-feira, setembro 29, 2005



É assim que me sinto hoje. E ontem. E antes de ontem. Meu cérebro tem a rara capacidade de passar de um estado para o outro em fração de segundos. A morte é preferível a viver assim. Mas eu estou viva. Mais um dia.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa...
Ecce Hommo

Ah! Esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Como os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou pra o que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada ele some
Ele é quem quer
Ele é o homem
Eu sou apenas uma mulher

Cazuza na voz de Bethânia...
Le Pomme D'or

Finalmente alguma coisa "útil" advém do caça-palavras que eu comprei para encarar a fila do FGTS...

A arte da discussão(Filos.8)

ERÍSTICA

Discussão, indeed.

/me imaginando as consequências práticas da aplicação da erística em um debate lógico he.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Chove lá fora e eu aqui, sozinha no meu quarto, penso em você. No teu abraço, no arrancar das roupas, em acariciar teu corpo suavemente e pensar na perfeição criada pelos deuses, na beleza que existe na mistura do teu corpo com o meu, tudo simples, perfeito e bom. Minhas carícias foram preces suaves e silenciosas a esses deuses que nos criaram à sua semelhança para que nós também pudéssemos desfrutar do prazer e do amor. Ostara. "Você sabia que nós estamos fazendo dois meses hoje?" ele diz, com olhar de menino, enquanto me abraça. E eu guardo para mim o pequeno segredo que todos os que cruzaram o meu caminho ao longo do dia sabem menos ele: "Claro que sei, pensei nisso o dia inteiro e a despeito de todas as dificuldades, convites e desvios, eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar nem fazer qualquer outra coisa esta noite do que estar em seus braços..." A verdade é que se me fosse dado o direito de escolha, eu escolheria passar todas as noites e acordar todas as manhãs em seus braços.

Eu fecho os meus olhos e tento recuperar pequenos momentos fora do tempo. Tão frescas permanecem as imagens do sol brilhando na prata dos teus cabelos na tarde de sábado, se refletindo obliquamente nos teus olhos, emoldurando em luz a tua boca e me trazendo lembranças daquele primeiro e interminável beijo, tão doce, tão diferente de tudo o mais que eu havia conhecido até então, e o pensamento/constatação de que aquele charmoso desconhecido me beijara de uma forma que homem nenhum jamais me beijou. Afortunada eu sou, que ainda o tenho a meu lado. As sombras das árvores e os raios de sol brincam de tecer seu chiaroescuro em seu rosto semi-adormecido. Uma ternura tão grande emana de mim que eu creio vê-la transbordar dos meus olhos, do meu coração e da minha boca, que deixa escapar em palavras o pequeno mantra que cada parte de mim externa: amo você.

Na manhã de domingo, vagando pela cidade, a realização deste amor estava tão presente no meu rosto que não houve um vendedor que cruzasse meu caminho que não me considerasse "estranhamente iluminada". É que levei Neil Gaiman e Alan Moore para casa, para me fazer companhia, junto a um bolo com gotas de chocolate e algumas passas. Levei também o sobrinho do Rei Arthur, para fazer companhia a seu tio e a Merlin, já senhores da minha estante.

A chuva estiou e a noite já se alonga. Eu sei o que pedir a Oneiros esta noite. Você pode adivinhar o que será?

sexta-feira, setembro 23, 2005


.............. 2 meses ...............

I all ever wanted, I all ever needed is here, in my arms

Eu te amo, J.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Doctor Unheimlich has diagnosed me with
Laineitis
Cause:thinking too hard
Symptoms:tongue retraction, dementia, abdominal swelling, spitting
Cure:cryogenic freezing until science catches up
Enter your name, for your own diagnosis:


ouvindo: Camisa de Vênus - Sinca Chambord :P

quarta-feira, setembro 14, 2005

Novidades

Espero ter um computador novo em breve. Daddy vai me ajudar a comprar. Escolhi e configurei uma máquina inteiramente voltada para o trabalho com ilustração e design. E é incrível como saber que as limitações do meu micro atual(um pentium 200 velho de guerra com 96 mb de ram e um hd que deve ter o mesmo espaço de um DVD) vão deixar de existir me INSPIRA.

Estou descobrindo que ficar em casa não é tão ruim assim. É ESTRANHO, pois desde que comecei a trabalhar em 95 nunca estive desempregada. Creio que desde a minha adolescência eu não tenho tanto tempo para mim, e para as minhas coisas. Pintei duas camisetas ontem. Devo comprar veludo e terminar de customizá-las assim. Talvez isso vire um projeto à parte. Tenho idéias para pulseiras também.

Embora continue procurando emprego, sinto um grande impulso de tentar descolar dinheiro através da minha arte, e me dedicar a isso. O novo micro vai me permitir terminar todas aquelas artes no Photoshop e todas as HQs que ficaram paradas, fora meu aprendizado de Illustrator. Meu site está em pauta (já está na hora de um redesign, não?). O site de Decadência também. A realidade de trabalhar no Photoshop e no Painter numa máquina rápida, on the fly, me anima MUITO. E eu acho que vou voltar a pintar. Meus acrílicos estão implorando "me use!" :)
Insomnia

Meus olhos ardem e com eles
Todo meu ser se consome
Sem descanso, na tua ausência
Meus braços erguem-se para o vazio
E te buscam sofregamente
Sem teu corpo não há paz
que vele minhas pálpebras
Tentando tocar tua face
meus dedos acariciam o éter
Sequiosos, meus lábios perseguem
A volúpia do teu beijo
Há tortura na memória do corpo
que falta a este leito
E eu inteira me dissolveria no vácuo
para despertar em seus amados braços
Pois sem seu acalanto, querido
Não repouso nem adormeço

quinta-feira, setembro 08, 2005

"Eu te amo". Palavras difíceis, que jurei nunca dizer. Pela primeira vez, novamente, mais uma vez, nunca mais. E eu digo. E eu sinto. Meu coração cansado e triste, tão traumatizado de outras dores, ainda encontrou forças para mais uma vez se encantar de uma forma ingênua e doce. E eu amo. Um amor que tomou conta de mim quando eu já não queria mais nada da vida e dos homens. Um amor pequenino e frágil que teima em me fazer suspirar pelos cantos como a menina que já não sou há tanto tempo, sonhando com seu abraço. Um amor que sequer sabe se um dia será correspondido mas que não se importa em ser mais do que é, em se fazer escapar dos meus lábios quando me distraio, que transborda de cada poro do meu corpo quando minhas mãos percorrem o corpo deste homem. Amar novamente é mais do que eu esperava da minha vida nos últimos anos. Ser amada é mais, muito mais do que sequer ouso imaginar possível.

quarta-feira, setembro 07, 2005

The sleepless night (first sketch)

On the silent darkness of this bedroom
Pale moonlight covers my limbs
And nurses the dreams of this body
Dreams of fire and passion, of you
Deep, oh so deep inside of me

Over the dark sheets of blue
I crave for the warmty of your embrace
Seeking to find on this pillow the smell
Of the beloved hair I have caressed
Time and time again

For my breast needs the beat of your heart against it
And my lips need your kisses to make me rise
It's in your embrace that I find peace after nightmare
And my fingers need your body to their delight

And I moan, and despair, and close my eyes
Drinking in the silence remnants of your voice
Feeling in my face the touch of your beard
In my throat bearing the mark of your teeth

Rejoicing on the traces of wasted pleasure
I pray to unknown gods to wake up again
To the dream of having your lips and hands
On these days and nights out of time

segunda-feira, agosto 29, 2005

Eu não devia estar me sentindo assim.

Passei um final de semana relativamente tranquilo (com seus pequenos ups and downs mas c'est la vie) ao lado dele. Never though it could have a link so strong between Tijuca and Niterói. Guest starring some place in Botafogo and a few hours in Copacabana. Adoro estar ao lado dele, abraçá-lo, acariciá-lo...

Eu não devia estar me sentindo assim.

Daddy ficou de me ajudar a comprar um micro novo. Já escolhi que máquina quero comprar. Será um bom micro. Me dei um DVD portátil da Gradiente de presente, um daqueles bon marché que só eu consigo às vezes. Semana que vem chega um armário novo e meu quarto vai perder aquele ranço de look eternal-post-mudança.

Eu não devia estar me sentindo assim.

Semana que vem é aniversário do Gabriel. Tenho muito o que fazer e planejar até domingo.

Mas eu estou. Infinite sadness weights my heart. E eu não sei a resposta, não sei mesmo. De onde, toda essa tristeza?

sexta-feira, agosto 26, 2005

Inferno Astral (ou extremo mau humor ou TPM fora de época)

Passo um dia na casa dos meus pais e esqueço que tinha que devolver 3 fitas pra locadora (multa!). Esqueço que era dia de terapia. Meu ex marido diz que a culpa da suspensão do Gabriel por ter batido numa colega de escola é minha e que a convivência comigo está fazendo mal pro meu filho. Tenho uma crise de overreacting a uma brincadeira que desenterrou vários fantasmas do meu passado numa tacada só e me pego chorando e tremendo descontroladamente na frente do computador. Depois me sinto estúpida. Vou dormir deixando o eMule ligado e acordo para descobrir que o micro congelou logo depois que fui dormir. Uma noite de download desperdiçada. Meu celular desligado me fez perder uma oportunidade de frila. A encomenda que fiz pra Saraiva foi liberada e não tinha ninguém em casa e os porteiros não são confiáveis então não dá pra saber se o portador já veio ou não. Chego em casa cansada, estressada e com vontade de chorar. O gato fez xixi nos meus documentos. Minha mulher está com rubéola. Se meu filho pegar, vou ter de cancelar sua festinha de aniversário semana que vem. Acho que estou tendo uma recaída da depressão. Como será que uma pessoa normal consegue lidar com essas coisas? Porque eu tinha que sair de casa e perder completamente a noção do tempo e da realidade? Pior é ter a plena consciência de que tudo que deu errado foi consequência de decisões erradas que tomei ao longo de quarta e quinta. Eu quero me enfiar embaixo do meu edredon e ficar quietinha esperando a tempestade passar, mas não posso. Coisas demais pra fazer, nem que seja ver se consigo tirar o cheiro de mijo de gato da merda dos meus documentos com álcool, levar Gabriel na escola, pagar as multas e contas atrasadas, engolir minha imbecilidade como um remédio amargo e aprender a lição.
Here's a toast to SIP

In every heart there is a room
A sanctuary safe and strong
To heal the wounds from lovers past

Until a new one comes along

I spoke to you in cautious tones
You answered me with no pretense
And still I feel I said too much
My silence is my self defense


And every time I've held a rose
It seems I only felt the thorns

And so it goes, and so it goes
And so will you soon I suppose

But if my silence made you leave
Then that would be my worst mistake
So I will share this room with you
And you can have this heart to break

And this is why my eyes are closed
It's just as well for all I've seen
And so it goes, and so it goes
And you're the only one who knows


So I would choose to be with you
That's if the choice were mine to make
But you can make decisions too
And you can have this heart to break


And so it goes, and so it goes
And you're the only one who knows


And so it goes - Renato Russo (interpretando Billy Joel eu acho)