quarta-feira, outubro 15, 2003

Por amor e vontade de me identificar com o homem a quem amo e também um certo desejo de me aprofundar em conhecimentos que já arranhei, bem como aquela curiosidade eterna sobre o que eles têm a oferecer, tenho pensado muitas vezes em sair do meu isolamento típico de praticante solitária e, talvez, voltar a frequentar grupos. A Rosacruz, pra ser mais exata. Sendo meu menino e muitos dos nossos amigos, inclusive meu ex-marido, da Amorc (batizei Gabriel na F.R.A.), mais uma vez revi na minha cabeça as inúmeras vezes e propostas que recebi de me afiliar e passei a considerá-las com mais seriedade e boa vontade.

O problema é que, não sendo a primeira vez em que penso nisso, começo logo a lembrar dos motivos pelos quais eu nunca entrei em clubes que me aceitavam como sócia... Sem cair na armadilha de ser falsamente humilde, conheço meu potencial, minhas capacidades e até onde posso chegar. E NUNCA conheci um grupo que não demonstrasse mais interesse em usar e modelar minhas, digamos, "habilidades" para seu benefício próprio, se dando o crédito por ter me "feito ser quem sou" segundo seus próprios sistemas, do que em ser um lugar onde eu encontrasse realmente meus "iguais" e tivesse minha sede de conhecimento saciada. Well, fui lá na página da Amorc e talz, mas aí lembrei de um dos meus motivos básicos de rejeição e resistência: o choque de egrégoras. A Rosacruz, como o próprio nome e sua história diz, e como demonstrado pela sua aparência externa, é sobretudo permeada por magia cristã. Devo admitir que minha boa vontade não consegue vencer a rejeição automática e os macaquinhos pulando no estômago diante da idéia de ser "submisso à vontade de Deus", louvores a Deus, etc etc etc. Não dá, não desce, não sobe, não rola. Claro que não sou idiota de não enxergar o conhecimento verdadeiro por trás da camada de cristianismo, qualquer um que tenha lido Eliphas Levi tem de abstrair um bocado o afã que ele tinha de demonstrar pra igreja da época que era um bom cristão e não estava fazendo nada de mais... Mas numa época em que ordens místicas "secretas" anunciam no jornal pra buscar novos adeptos, mandam spam via e-mail e em que, numa conversa de bar, uma pessoa que você nunca teve intimidade vendo que você usa(va) uma ankh como pingente pergunta se você é rosacruz (porque ela é) e qual seu grau (?!!!!! não era pra ser secreto??!!!) eu me pergunto se vale a pena aturar o sofrimento de ter de digerir sem ter cólicas toda a baboseira cristã em busca do vislumbre de alguma ritualística de magia mais refinada...

Wicca ultimamente nem tem me passado pela cabeça, embora eu esteja interessada em ler as traduções do livro de Gardner e de Mme. Murray, além de ter encontrado neles referências a *outros* livros que vieram antes e assim saciar minha sede por conhecimento histórico do panorama da época que criou a moda mais pentelha entre os adolescentes dos últimos cinco anos! Ali, talvez, eu encontre a paciência que já não tenho com os pink wicca mandingueiros neo-góticos nova era bossa nova qualquer nota que abundam na web e nos shoppings... Aliás, uma curiosidade que tenho e poderei tirar lendo Gardner a fundo: a maioria dos sabores nacionais de Cuíca lambem devotamente os pés do Eliphas Levi no seu grande afã por misturar ingredientes diferentes no caldeirão mágico... Essa brincadeira de misturar alta magia cristã com magia natural começou com ele ou foi acrescentada como um tempero a mais por necessidade de afirmação (olhem, nós somos sérias, trabalhamos com alta magia cerimonial também!) de alguma bruxa depois e a moda pegou? Dúvidas, dúvidas, dúvidas...

Chaos magick embora seja algo que me atraia tem o péssimo efeito colateral de fazer a maioria das pessoas que conheci envolvidas com isso pirar em pouquíssimo tempo...

Thelema é o outro lado da balança para o qual minha mente pende... Mas lembro do meu ex-marido, Alexandre, lembro de uma senhorita que conheço envolvida com a O.T.O., lembro da bagunça que é a cabeça deles e da forma infantil com que eles utilizam a Vontade...

Gostaria de descobrir trigo no meio do joio. Uma vez seeker sempre seeker. Isso quer dizer que provavelmente vou passar a vida inteira buscando...

Ah, sim, como eu sou legal deixei um bocado de links para livros interessantes espalhados por este post. Porque não basta ter dor de cabeça com dúvidas. Tem-se que aprender algo pra variar.