terça-feira, julho 09, 2002

LIFE STYLES

Fico pensando se, quando envelhecer, vou conseguir me lembrar de todas as pessoas que passaram na minha vida, cada uma com seu jeito, cheiro, gosto especial...

O anjo louro sem nome de uma noite boêmia, que dançou comigo, roubou um beijo e sumiu na noite...

O doce Marcello, percussionista da Lapa que uma madrugada me encontrou na Cobal e me levou embora, fazendo o dia amanhecer com cheiro de Cruz Vermelha e Rio antigo. Saudades do Sobradinho.

Jim Morrison, "love me two times baby". Jim, que beijei sob a luz da lua cheia, o cheiro da grama verde misturado com seu perfume. Jim tocando violão pra mim no telefone. Jim, que só me chamava de Pam porque eu nunca disse o meu nome. Jim, que deitou a cabeça no meu colo a segunda vez e me falou sobre sua música, seus olhos brilhando sob o luar, no canto escuro onde apenas nos abraçamos. Jim que ia e vinha ondulando suavemente como uma serpente e que beijava de um modo estranho, como se te amasse além da alma do amor, mesmo sem te conhecer...

O italiano Marcelo e seu restaurante nas estrelas, a sacada do restaurante de onde se descortinava a cidade inteira, a vista importando menos que seus cabelos cacheados e seus belos olhos castanhos...

Meu anjinho hippie, Michael dos olhos de mel e da tatuagem de índio no ombro, que um dia me parou no meio da rua e disse, como se me conhecesse "vamos pra Sana!" e eu quase fui, ganhar dinheiro no Carnaval fazendo tatuagem de henna.

Juliano, que não acreditou naquele reveillon que eu tivesse olhado para ele, suas orquídeas e seu artesanato com madeira, que veio de Petrópolis para Minas só para acabar conhecendo uma carioca e que só me chamava de "princesa".

E os desconhecidos bonitos que passam na rua e você baixa os olhos, sem graça, e depois ri. Ou pior, tropeça ou dá de cara com o poste. E o maluco que uma noite no Gragoatá me parou no meio da rua enquanto eu cantava Tori Amos porque precisava me conhecer e não conseguia explicar porquê. Não foi a primeira vez.

Tudo isso pra dizer que não quero esquecer minhas noites em Ipanema. Os shows, principalmente. No show do Capital Inicial em Botafogo eu só consegui ser roubada, rs. Celular, cartão de crédito e um zip disk comprometedor, tsc, tsc. De Ipanema eu tenho as fogueiras improvisadas depois do show, rodinhas de violão, a fumaça verde no ar e a bênção das ondas. E mais.

E hoje, dois dias depois, ainda tem areia no meu cabelo, rs. Não quero esquecer DELE. Ele não falava uma palavra de português. Eu, nem uma palavra de alemão. Mas eu NUNCA mais vou poder olhar pra uma lata de SKOL sem dar uma risada. Precisei falar o meu nome três vezes e até agora não sei se pronuncio direito o nome dele. Um filho da Deusa, como eu. E foi sob as bênçãos dela que acordei em Ipanema. Nossos pentagramas se encontrando em meio aos beijos. O carinho, o respeito. E a pequena mágica de fazer nascer um dia perfeito.

"I'm not a man for one-night standings" he told me.
"Nor I", I said.
"I like you very much" he told me, cat-smiling with glimmering blue eyes.
"Just let it be" I told him and closed my eyes.

The night could last forever.


TO LIVE YOU MUST BE OPEN TO LIVING